- Laurindo Dor Rabelo

22/12/2009 às 12:05 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Quando da pátria me ausentei, não tinha
Nada, que lhes deixar, que lhes dissesse
O que eram eles dentro de minha’alma.
Mendigo, a quem cedi pequena esmola,
Deu-me quatro sementes de saudades;
Ao meu jardim doméstico levei-as,

Cavei, reguei a terra com meu pranto,
E plantei as saudades. Soluçando
Chamei ali os meus: “Aqui vos deixo
(Disse apontando a plantação) em flores
“Minh’alma toda inteira; aqui vos deixo
“Um tesouro enterrado
. Jóias, oiro,
“Riquezas, não, não tem, porém na terra
Estéril não será”. Ondas de pranto
Afogaram-me a voz: houve silêncio;
Palpei de novo o chão; vi que de novo
Cavado estava! A terra se afundara,
E as semestes nadavam sobre lágrimas,
Que minha mãe e minha irmã choravam…
Replantei-as, orei, beijei a terra,
E parti… Trouxe d’alma só metade;
E o coração?… deixei-o num abraço.

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